quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Reconstruindo a casa

"Um conhecido meu, por sua incapacidade de combinar o sonho com a realização, terminou com sérios problemas
financeiros. E pior: envolveu outras pessoas, prejudicando gente que não queria ferir.
Sem poder pagar as dívidas que se acumulavam, chegou a pensar em suícidio. Caminhava por uma rua certa tarde,
quando viu uma casa em ruínas. "Aquele prédio ali sou eu", pensou. Nesse momento, sentiu um imenso desejo de reconstruir
aquela casa.
Descobriu o dono, ofereceu-se para fazer uma reforma - e foi atendido, embora o proprietário não entendesse o que meu
amigo iria ganhar com aquilo. Juntos, conseguiram tijolos, madeira, cimento. Meu conhecido trabalhou com amor, sem saber por
que ou para quem. Mas sentia que sua vida pessoal ia melhorando à medida que a reforma avançava.
No fim de um ano, a casa estava pronta. E seus problemas pessoais, solucionados."
( Ser como Rio que flui... Paulo Coelho )


Não que esteja tão individada a ponto de pensar em suicidio, nem tão pouco a ponto de envolver pessoas e feri-las
(a não ser os meus credores que por um curto espaço de tempo se descabelam), mas também não devo milhões..mas enfim vamos ao ponto crucial de tudo isso, sabe quando você passa dias e dias pensando como teria sido, se você tivesse sufocado, calado e entendido um pouco mais ao invés de brigar, esperniar, e jogar na cara todas as verdades, ou pelo menos o que você acredita ser verdade, para defender aquilo que acredita ser o certo? Por orgulho, capricho, imaturidade, ou sei lá o que, anulei meus sonhos, muitos deles para viver uma vida aquela que eu acreditava ser a realização de um outro sonho, mas o qual deveria ter vindo depois de muitos outros, depois da realização de milhares de outros sonhos, o primeiro simplesmente teria, deveria ser o ultimo sem sombra de duvidas, e deveria ter sido realizado quando todos os outros estivessem concretizados, mas como a vida é imprevisível, o que era pra acontecer no fim, aconteceu primeiro que todas as outras coisas e cá estou eu, no inicio dos meus 26 anos morando sózinha, tendo minha vida me achando dona do meu nariz, mas sem o menor controle sobre as rédeas da minha vida.
E se um dia eu perder o emprego? E se amanha eu for cometida por um mal subito, ficar doente, passar mal, e blá blá blá...sei que parece idiotisse mas tem dias que a gente simplesmente acorda assim. Não que isso, ou apenas isso, tenha
influenciado na minha decisão, mas tenho outros sonhos pra buscar, outros anseios a se realizarem e preciso, necessito ir em busca deles antes que eu morra, ou outra coisa aconteça. Ah! outro fator tambem fez toda a diferença, a solidão, família por mais que as vezes nos encham o saco, faz uma falta danada, faz falta chegar em casa e não ter com quem conversar, não ter quem cuide de você, da sua comida, não pergunte como foi seu dia, ou pelo menos te diga um oi sorrindo, não ter quem conte com você,
nem que seja pra desabafar.
Idealizei tudo diferente, pensava eu lá atras nos meus 09 ou 10 anos, sim sempre fui precoce, embora não me ache nada madura, não madura como daquela mulheres que passam segurança, ainda me acho meio muleca, mas isso faz parte da minha essencia e espero ainda continuar muleca, para que a vida ainda tenha doçura, e eu possa ainda imaginar como estou imaginando nesse exato momento quem nunca é tarde pra recomeçar, mas isso faz parte do fim da minha linha de pensamento e não do meio, então deixe eu retoma-la para não confundir ninguem. Imaginanava que quando chegasse aos vinte e seis, estaria eu formada, com uma carreira profissional estável, casada, com um ou dois filhos no maximo, sim eu sou família e quero ter filhos um dia, ou simplesmente estaria com a vida sossegada no meu proprio canto, aí veio a vida e começou a virar tudo de cabeça pra baixo, foi aí que comecei a refletir sobre aquela frase de não sei quem, que diz: "Quando você acha que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas", acho que é isso, e se não for me desculpe o autor mas o sentido é bem esse, quando achei que tudo tava dando super certo ou iria começar a dar, na transição dos 16 para os 17 minha vida começou a mudar de uma forma que eu nunca pensei, tudo tava ficando estranho demais, tava tudo pessimo, a ponto de não querer viver, existir, enfim, foi quando aos 22 eu forçei, ou forçaram, ou tenha havido um complô de forçassão para que eu fosse realizar o ultimo que se tornou o primeiro dos meus sonhos.
E hoje depois de quatro anos comecei a fazer o caminho inverso, to voltando pra casa. O motivo de ter citado Paulo Coelho? Espero que esse meu caminho inverso, no final me traga a satisfação da realizaçao de vários outros sonhos, que após ter "resconstruido a casa" eu posso olhar pra trás e ter a satisfação de muitos outros sonhos realizados, e se eu não tiver? Paciência, minha essencia ainda é muito imatura, digamos até jovial demais, lembra? pois é, se não houver satisfação, se tudo der errado, a gente começa de novo, desde o começo outra vez, ou pelo fim, o que não podemos é deixar de tentar, por medo, orgulho ou capricho, porque lá no finzinho da vida, ela nos cobra justamente aquilo que deixamos de fazer por medo de tentar, e eu não quero passar o fim dos meus dias imaginando como teria sido seu tivesse deixado meu orgulho de lado. E que Deus me abençoe e esteja ao meu lado!


Rosiane Stabile
25/07/2009

sábado, 18 de setembro de 2010

Coração...

Passei o dia pensando – coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação – repetido, invertido – ação, cor – sem sentido – couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:
Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.

Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.
Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se pos. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.

Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: “Im too pure for you or anyone”. Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome.

Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos – ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.

Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso. Acesa, aceso – vasto, vivo: meu coração teu.



Caio Fernando Abreu, in Pequenas Epifânias



Assim é o coração dos que vivem de taquicardias… :)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

um pouco de Caio...

Vai passar, tu sabes que vai passar.Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe?O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como " estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloquentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não.Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência. Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia,sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome,a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada.(...)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ao meu GRANDE AMOR!!!

Meu time não tem libertadores...
Ah! Não temos estádio também!
Segunda divisão?? Não foi só ele, ele levou 30 milhões.
Então, se não ligamos para títulos, que paixão é essa??
Paixão...é aquela que vê o torcedor do lado sorrindo...é aqueles olhos que vê uma multidão indo pro estádio, é aquela lagrima que ao invés de cair de dor..ela cai de amor, a um clube que jamais irei abandonar.
Após anos ao lado dele, percebi que...quando ele foi campeão foi maravilhoso, mas quando ele caiu, os momento que vivi foram igual ou maior do que um titulo!!
Os momentos que eu viverei serão mais importantes que um estádio, uma libertadores, ou um momento ruim. Não se compara o nosso carinho, nosso momentos juntos...enquanto existir um sorriso, um eu te amo, enquanto eu estiver acompanhando meu mundo será você, te amarei, mais que a minha própria vida!
O que importa é eu e você...meu grande amor..companheiro para a vida toda. E quando eu partir me de apenas uma honra, de descansar com seu manto sagrado para sempre ao meu lado.
Meu Gigante! O sentimento que você coloca em meu peito, ninguém é capaz de tirar.
Desde de 1910, em todos os cantos e corações do mundo...
Um clube...
Uma historia ...
Uma religião...
Aos outros clubes e torcedores!
Não nos compare com algo. Nossa família e formada por apaixonados, somos diferentes. Não nos critique pela sua revolta em não ter nascido corintiano...(risos)
Corinthians não é um time, é meu estilo de vida, a minha religião, minha felicidade constante, um amor que vai durar para sempre!!!

(by Rodrigo Maciel com adaptações)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Maneiras alternativas de se perder calorias

Bom, estamos na era em que todos querem emagrecer ficarem com corpos e mentes saudaveis,inclusive eu, que estou correndo atras do prejuizo...pensando nessas pessoas e em mim, descobri maneiras alternativas de se queimar calorias, e não nego, uma delas em particular me chamou muito a atenção...então resolvi dividir com vocês..bjos e espero que gostem


Fazendo amor

Comprovado cientificamente, a relação sexual é excelente para emagrecer! Uma noite de amor ou mesmo uma "rapidinha" faz com que o corpo gaste muita energia. E o melhor: você nem precisa sair de casa ou gastar dinheiro para isso.

Em apenas 30 minutos de sexo (tipo papai-mamãe) você pode perder 250 calorias, as mesmas de um sorvete com calda de chocolate que você tomou à tarde. Mas se você estiver com muita disposição, uma noite inteira de amor pode fazer você queimar até 850 calorias. Não acredita?

Então veja quantas calorias você perde se:
- Beijar: 30 calorias
- Fizer sexo oral, por 30 minutos: 350 calorias
- Fizer sexo tipo galope, por 30 minutos: 450 calorias
- Fizer sexo, em varias posições, por mais de 40 minutos: até 850 calorias



Delicia né gente???

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Aos amantes não amados....

Aos amantes não amados, não um conselho, mas um intento amoroso.
Abandonar as roupas usadas e ousar novos caminhos. É um desperdício
deixar o burrinho interminável da teimosia, roubar a preciosidade da
solidão e do silêncio. Não há por que ter medo. É bom ficar a sós e
reconstruir com pedras e enfeitar com flores os sobrados que se
desmancharam por aí. Talvez não fique igual. Talvez seja melhor que
nasça diferente. As comparações podem ser corrosivas do metal nobre da
escultura em modelagem ainda frágil. Não há pessoas iguais nem
sentimentos iguais. Há novas tentativas, novas formas de descobrir e
dar significado a um rosto que era só multidão."


Padre Fábio de Melo

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

MEIO BONITA

Você sabe de quem eu estou falando. Ela chega, cumprimenta, tem um jeito engraçado de cruzar as pernas, usa aqueles sapatos. Quando tira os óculos você observa um tanto mais e tem a impressão de que a conhece de algum outro lugar, uma amiga de infância talvez, ou quem sabe a mocinha do filme antigo, aquela. Você não grava os nomes.
Se reparar bem, verá que os olhos são bonitos, de um formato que você nunca viu igual em outros rostos. Talvez não combinem com o nariz, que não é feio, porém foge um pouco do contexto proposto pelos olhos, e digamos que a boca, que não é feia, tornou-se apenas sem graça perto de um par de olhos muito bonitos e um nariz despropositado.
Em casos leves, você pensaria ‘ela é quase bonita’. Em casos com certa gravidade, você diria ‘ela tem um tipo bastante especial’. Se fosse feia, você não estaria aí pensando nela ou observando seu modo de cruzar as pernas. Ela é bonita, mas tem aquele jeito de rir, meio polêmico, e aquela maneira de andar, rápido demais, e quem sabe se não tivesse essa mania de esconder os próprios olhos atrás de tão estranhos óculos.
Você sabe muito bem de quem eu estou falando. Pensa que eu não sei? Acordou todos esses dias, sentiu-se solitário, frágil. Tropeçou diversas vezes em objetos variados, esqueceu alguma coisa muito importante e sentiu falta de alguém pra esquentar suas mãos. As garotas que você conhece são amigas demais ou pretendentes demais e você quer alguém distante, que te olhe de uma forma bem particular, te deixe confortável, contente, triste. De preferência alguém a quem você ainda não ame para poder falar abertamente sobre sua teoria de amor latente, amor que já habita algum determinado espaço e apenas não foi direcionado a algum alvo específico. Amor que já existe e você não encontra alguém com quem dividir.
Poderia ser essa menina, se ela não roesse as unhas. Se ela não tingisse o cabelo dessa cor. Se você tivesse coragem. E se não te assustasse tanto o fato de que ela se parece demais com o seu mundo, meio bonito. Meio antiquado. Meia estação.

Zine Vanili